Your days are numbered at 24.

#AlertaDeTextão, e esse é bem grande. Se não quiser ler, pode ignorar =)

Hoje, 10 de dezembro, é meu aniversário. Não que eu me importe muito com isso, e realmente não me importo. Mas eu gostaria de falar sobre um presente que eu já recebi mas nem sempre sou grato da maneira certa.

Essa foto eu tirei tem umas semanas. Ela é sobre “tocar na igreja”. Ela aborda um fato atual que adoro, mas que é carregado de passado.

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Eu tenho uma memória meio tuberculosa pra música. Lembro meu primeiro rock da vida – Around The World, faixa de abertura do CD Californication, dos Chili Peppers. 6 anos de idade. Eu lembro que meses antes ganhei um CD do Molejo. Eu lembro de um CD do Calypso que minha mãe tinha e anos depois ao reencontrá-lo na internet minha bochecha doeu de tanto rir, porque eu lembrava cada melodia, até os “issé Calypsoooooo” da Joelma.

Quisera eu ter essa memória na hora de fazer provas na faculdade.

Eu me lembro de muitos e muitos louvores que ouvia no Agnes. Foi assim que comecei a conhecer Deus. As aulas de Bíblia eram pouco interessantes (embora eu prestasse atenção), o culto era muito melhor. Ali ouvi os primeiros louvores a Deus. Nunca soube pra quê aquilo servia; só achava bonitinho. Eu tinha respeito pela ideia de Deus, por muito tempo não o imaginei como uma pessoa real. Mas a música eu sempre gostava.

Música. Ela fazia toda a diferença.

Eu lembro de muitos e muitos fatos regados a diferentes músicas. Videogames, festas, dias ruins, dias normais, chuva, sol, praia, céu azul, céu nublado, risadas, choros. Essas coisas estão gravadas em mim. Eu falo tanto da minha educação musical de MTV de 2002 a 2006; isso tudo tá MUITO gravado em mim.

Em 2008 comecei a congregar com os irmãos no Derby. Faz tempo, cara. Quase 10 anos. Já não posso dizer (o que eu vivia dizendo até não muito tempo atrás) que, quando me olho no espelho, eu ainda vejo o mesmo Philippe adolescente — não vejo mais o mesmo, só parte dele. E nas reuniões de domingo lá estava ela. A música. Não vou dizer que meus olhos brilhavam na hora do louvor, mas que eu achava o máximo, achava. Ainda acho. Levou um tempo até eu entender o significado por trás disso — aliás, por trás, pela frente, pelos lados, por toda parte. (Onipresença talvez seja um termo pequeno diante da real presença de Deus).

Ali nos meus 10 anos aprendi bateria. Nunca fiz aulas — só um workshop de 2h que lembro de umas posturas. Eu era tímido demais pra tocar bateria na escola, ainda que ela sempre me esperasse lá (mas cheguei a tocar umas 3 vezes). Aos 16 ganhei da minha mãe um violão. Nunca saberei agradecer por ganhar o instrumento que ela mesma foi tão boa, fazia duetos com meus tios, soltava a voz à lá Gal Costa (segundo meu pai) sem errar um acorde. Nesse tempo eu já tinha acabado a escola, e na facul eu levava o violão de vez em quando. Mas ela nunca me ensinou. Ninguém me ensinou. Bem, tive 3 aulas de teclado (!) que me ajudaram com teoria, mas fora isso… internet. E ouvido, muito ouvido. Até hoje. O mesmo com guitarra, baixo, ukulele, cavaquinho, e tantos outros instrumentos.

(Cantar… nunca gostei de minha voz cantada. Mas, kessy como eu era, cantava mesmo assim. Um dia eu acerto minha voz, prometo.)

Pouco antes de eu me batizar na igreja, eu sempre queria “fazer algo pra Deus”. Assim, genérico. Mas isso certamente envolvia música. Depois do batismo, parece que desci uma ladeira. Tudo se encaixou bem rápido. Tudo fazia sentido. “Quem poderá subir o monte do Senhor? Quem poderá entrar no seu Santo Lugar? Aquele que tem as mãos limpas e o coração puro, que não recorre aos ídolos nem jura por deuses falsos. Ele receberá bênçãos do Senhor, e Deus, o seu Salvador, lhe fará justiça”. Salmos 24:3-5. Eu precisava de mãos limpas e um coração puro, e o Senhor me deu.

(Não que eu tenha alcançado a perfeição. Mas sigo buscando, e uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo.)

Não pensa que “tocar na igreja” é só ser um membro de uma congregação e um músico. Se eu não for um discípulo de Jesus ANTES, não sou aprovado. Todo aquele meu background de vida não serviria pra muita coisa, a não ser fazer barulho. Mas Deus é tão misericordioso que ele olhou pra esse menino tímido e por muito tempo não cacheado e aí com muita graça, misericórdia e amor, abriu uma portinha de música. Uma oportunidade aqui e ali, e hoje estou a serviço do Rei.

(Pra falar a verdade, ainda me falta sabedoria. Peço que orem por mim e me aconselhem o tempo todo através da Palavra de Deus. Estando assim na frente, diante de gente, sei que sou visado. Seria muito mais fácil pra mim servir lavando banheiros, longe dos olhares. Mas estando numa posição onde sou visto, sei que, querendo eu ou não, sou tomado como referência pra algumas coisas. E por isso mesmo preciso ser encontrado totalmente irrepreensível, de consciência limpa e sem falhas no que faço. Pra que se alguém invente de me tomar como modelo, seja como Paulo disse: “sejam meus imitadores como eu sou de Cristo”.)

Eu nunca agradeci apropriadamente por esse presente. Eu nem sei se conseguiria agradecer da maneira correta. Essa memória tuberculosa; esses acordes, riffs e solos que rodam minha cabeça sem eu nem saber tocá-los ainda; esse mp3 player que é meu cérebro que fica automaticamente tocando músicas, criando trilhas sonoras pras situações que passo, e às vezes me enchendo o saco; essa mania de fazer sonoplastias, imitações, sons improváveis; essa paixão por tantos e tantos estilos que até assusta uns amigos que não entendem como consigo mudar de heavy metal pra forró em dois tempos; essa paixão por instrumentos que me faz achar que toco qualquer coisa que me derem (menos, Phil). Nunca agradeci.

Hoje eu tenho a oportunidade de tocar para e com os meus irmãos. Com minha família. Não vou rejeitar oportunidades que vierem pra eu tocar com outras pessoas; terei que ser sábio diante de cada oportunidade dessas. E não nego que quero sim trabalhar com música — seja como professor, como músico de estúdio, como frontman ou sideman, como produtor, engenheiro de áudio, sei lá, tem tanta possibilidade. Quero, converso sobre isso, oro sobre isso, penso sobre isso. Mas, ainda tenho outras coisas a resolver. E tocando e cantando aqui na “igreja”, eu estou em casa. Aqui ou em qualquer “igreja”, “templo”, ou nomes quaisquer que quiserem dar, porque é tudo prédio. O que importa é quem tá ali. Meus irmãos, esses sim são a Igreja. E meu Pai. Nosso Pai. Ele anda conosco, ele mora dentro da gente, ele ouve cada nota — certa ou errada — e continua ali do nosso lado.

Eu prometo que vou parar de negar quando vierem me falar de “dom”. Eu sei as incontáveis horas que perdi quebrando a cabeça com técnicas, músicas, improvisos e etc. “Dom” sozinho não faz nada. Mas, refletindo sobre essas coisas, eu sou privilegiado. Não vou reclamar. Na verdade, eu sei que esses acontecimentos são tijolos projetados pelo meu Senhor na construção de mim mesmo, dessa obra que Ele começou e um dia vai terminar. E sei que, como Ele lidera a obra, ele pode retirar isso tudo a qualquer momento. Sem música na minha vida, eu certamente ficaria perplexo, abatido, chateado, mas nunca desesperado, abandonado, destruído. Deus deu com tanta graça, Ele pode tirar. Ele continuaria no trono do universo e no trono de minha vida. Eu teria que reaprender muita coisa. Mas Ele ainda seria digno de ser louvado.

Esse meu suposto “apego” à música é até meio paradoxal diante de uma declaração como a de Paulo em Filipenses capítulo 3 (vale a pela ler), um homem que tinha tudo diante dos homens e deixou tudo pra trás por amor de Cristo. É exatamente por isso que deixo público meu agradecimento ao Senhor, criador do céu e da terra, e de toda a beleza nesse planeta, seja ela visível, audível, táctil, olfativo ou degustativo. Um Deus que podia ter feito um mundo em escala de cinza, sem cheiros ou texturas, e com formas e sabores limitados, mas ao invés disso criou uma explosão de cores, formas, sons, cheiros, sabores, tamanhos, formatos. A arte é do Senhor. E toda arte que eu faço, todo som entoado (ou cantado, ou que faço cover, ou que posto na internet sob pretextos diversos) não é mais que uma grande vontade de conhecê-Lo.

Esses últimos dias eu tenho feito o #DesafioDeMúsicaEm30Dias. Alguns de vocês devem ter visto um ou outro post. Eu posso conversar sobre qualquer coisa na vida, mas geralmente sou ruim de puxar assunto. Faço força, sério. Mas quando tem música no meio, o carretel de Phil desenrola. É muito mais fácil me conhecer através de música, assim como eu conheço cada um de vocês que chegou até o fim desse texto através de muita coisa, mas principalmente de música. É mais fácil me garimpar avaliando o que ouço e porquê ouço.

Quer um exemplo? Vai no meu perfil. Ontem eu postei uma música da banda Tihuana (aquela do Tropa de Elite, osso duro de roer). Se chama Renata, e fala sobre prostituição infantil. Eu conheço histórias de “Renatas”. Elas me doem o coração, e eu ainda não posso ajudar pessoalmente, então oro por elas. (parêntese: quantas vezes, meu irmão em Cristo, vemos nossos irmãos criativos em artes usá-las pra falar sobre temas socialmente relevantes assim? Pensemos fora da caixinha.) Seria bem mais fácil do que fazer um textão feito esse. Aliás, minhas playlists no Spotify dizem mais sobre mim do que algumas conversas que tento desenvolver. É verdade que essas playlists estão em sua maioria escondidas; eu ainda não as concluí. Eu também ainda não estou concluído como obra. Mas obra que anda pra frente, não que é embargada pela Prefeitura.

Pode ser que eu nunca venha a trabalhar com música como tanto quero. Pode ser que meu ciclo de serviço com música junto à igreja se encerre daqui duas semanas. Pode ser que eu fique surdo. Pode ser que eu perca as pontas dos dedos (e não aprenda a tempo a ser um gênio como Tony Iommi). Pode ser que minha vida dê um plot twist muito louco em 2018. Não sei nada, nada mesmo, e na verdade nem quero me pré-ocupar com isso. Mas o que com certeza posso dizer é que foram 24 anos de muita gratidão ao meu Deus pela oportunidade de viver música de diferentes maneiras. Eu só queria tê-Lo conhecido antes, mas Ele sabe o que faz. Ele não atrasa.

Obrigado, Jesus.

“Eu pensei te dizer tanta coisa
Mas pra quê, se eu tenho a música?”

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