Salvem o Humbug! Ou: crescendo com a banda que se ouviu desde a primeira demo de álbum

Originalmente postado no (sensacional!) blog Dialetos & Coisas Boas.
Acessem o blog ou um macaco gigante do ártico vai cair na sua cabeça.
Tá avisado. 😛
Vamos ao post! 😉


 

Não é segredo pra ninguém que Arctic Monkeys caiu na boca (e nos ouvidos) de todo mundo. As ‘molieres’ só não jogam a calcinha no palco, no melhor estilo Wando, porque… sei lá, porque o palco é muito alto e distante? Hehe. Enfim. Eles não são uma banda romântica, apesar dessa temática ser corriqueira nas canções. Mas são uma banda que virou “modinha” (fama, né?) mas que pra mim tem ainda um certo valor. E por que não teria? Porque eu sou um cara meio (ou mais que meio) underground, um tanto indie. E, se uma banda dita indie alcança o mainstream, deixou de ser indie faz tempo…

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Frescurinhas de indies e undergrounds à parte (porque eu amo mainstream também), a banda foi quem me surpreendeu quando eu era adolescente e só fazia tocar (e mal) bateria, porque eles eram também novos e já corriam o mundo. Foi quem me chamou atenção, depois, pra guitarra elétrica e pro rock indie quando eu ainda tocava só um violãozinho, de leve, e nem tinha muita pretensão nas 6 cordas. Foi quem me avivou a chama da música, a vontade de sair e fazer música. Apesar de todas as bandas que eu escutei na vida, na minha adolescência apenas Arctic Monkeys, Linkin ParkFall Out BoyGreen Day me deram vontade de ter uma banda, pra viver seriamente de música.

Um resumo simples do começo deles: a banda é de amigos de infância e todos estudaram juntos. Então começam a fazer shows locais, distribuem demos — e um desses demos deles veio de um amigo lá do UK parar em minha mão — e constroem uma base de fãs local bem fiel e insistente em espalhar sua música. Detalhe que eles tiveram até ajudinha da mídia, mas nem tanta. Quer dizer, estávamos no final da era rádio FM, ela ainda ajudava muita banda, coisa que não acontece mais hoje. Mas eles dependeram mesmo da internet. Os fãs deles é que divulgavam as músicas, pegavam as demos e mandavam uns pros outros. Daí, pro deleite dessa galera toda, lançam CDs single que vendem milhares de CDs. Depois lançam um CD que vendeu 300.000 mil cópias em uma semana. Aos 19 anos de idade.

Quem não queria ser esses caras?

Bem, a treta mesmo vem agora. Os fãs, ex-fãs, e talvez os ouvintes ocasionais, vão entender onde eu quero chegar. 2 primeiros álbuns, “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” e “Favourite Worst Nightmare”, pura explosão hormonal adolescente, letras festivas e engraçadas até, mas poucas sendo reflexivas de fato. Por mais que todo mundo cante tudo nos shows, é mais por nostalgia. 505 tem um significado forte, já o citei em outro post no Dialetos & Coisas Boas, também If You Were There, Beware, Do Me a Favour, umas poucas, mas a maioria das canções tinha mais um tom de diversão. Isso vendia e vende pra caramba. Eu, adolescente, cabeça-de-vento, ouvia e amava aquilo. E até hoje eu ouço e me divirto. Eles, não mais adolescentes, rodaram países, festivais (Glastonbury 2007 é mitológica), programas de TV, gravaram DVD, todos os clipes eram muito pedidos na MTV (me lembro como se fosse hoje, na estreia deles na MTV Brasil, alguma VJ zoando eles por serem novos e cheios de espinha na cara) e as músicas muito pedidas na rádio, etc etc etc. Parecia a vida de fã mais perfeita imaginável.

Daí veio um baque, pra mim e muita gente. Um álbum que, até onde sei, só fã mesmo da banda é que curte. O Humbug. Vocais totalmente diferentes, sonoridade mais dark e lenta, teclado (teclado! ‪#‎comoassim‬) numa música… em duas, três, quatro… não acreditei. Pensei (sério), “Alex saiu da banda? O que esse cabeludo tá fazendo com a Gibson do Jamie? E é outro batera? Cadê o ‘Agile Beast’?”… letras diferentes, fortes, significativas. Tudo diferente. Parecia outra banda. Lembro como se fosse hoje, eu e mais meio mundo de gente discutindo sobre o álbum e o futuro da banda nas comunidades do (finado) Orkut sobre Indie Rock e sobre Arctic Monkeys.

Acontece que os garotos cresceram e eu queria minha banda preferida (preferida até aquele momento, hoje “preferido” pra mim é variável) pra sempre como os outros álbuns. Mas eu é que tinha que fazer meu vocabulário musical crescer. Eu não era maduro musicalmente. Demorei bastante a ser, e o Humbug foi crucial para isso. Mas eu não sabia como e nem quando isso ia acontecer, enquanto vivia aquela fase de “não aceito que uma de minhas bandas favoritas mudou tanto”, já bastava o Linkin Park, oras.

Daí um dia eu estava só em casa, fazendo *nada* e liguei na MTV (sempre ela). Arctic Monkeys ao vivo, em Valência, liguei logo no começo. A primeira música era “Dance Little Liar” e eu achei mesmo que era outra banda. Os caras vestidos de sobretudo (só depois percebi que tava um super frio lá) e cabelo nos ombros. Nada a ver com os garotos de outro tempo. E bem pouco a ver com o estilo atual, que conhecemos hoje. Até a voz não era nem a de garoto nem encorpada como agora… era uma voz até grave, porém suave. Passei 5 minutos custando a acreditar que aquela banda era Arctic Monkeys mesmo.

Só acreditei quando emendaram Brianstorm logo em seguida. Com Brianstorm não tem erro.

Então, depois que o show acabou, percebi que eu tinha um caminho longo pela frente. Ouvi diversas vezes o Humbug e pouco a pouco fui me abrindo pra esse “novo” Arctic Monkeys. Por eu ser um fã de música ao vivo, fui procurar apresentações deles com canções do Humbug, e me acostumei mais, eles tocavam com mais energia, mais presença. A sensual My Propeller, a tranquilona Secret Door, a intimista Dance Little Liar, a energética Pretty Visitors, ah todas tão legais. Mas demorei, viu!

Foi só quando veio o outro álbum, Suck It And See (literalmente “Pague pra Ver”) em 2011, e pegando a ideia de procurar as versões ao vivo, que entendi onde diabos eles estavam querendo chegar. Mesmo assim, não escaparam de alfinetadas quando anunciaram o Suck It And See. Os fãs, ainda no Orkut, se perguntavam se a banda ia durar, pois no anúncio desse CD disseram que ia ser bem na linha do Humbug. E realmente se apresentaram bem menos na TV, a MTV Brasil caiu muito de 2008 pra frente, as críticas não foram lááá muito positivas, e a rádio FM hoje é bem meh!. Mas quando chegaram nos festivais eles botaram pra quebrar, o T In The Park 2011 por exemplo é muito aclamado pelos fãs, confere no Youtube, vá. Anyway, todos ficaram de boa e a banda sumiu ali pelo fim de 2012…

…daí começou 2013, vieram shows onde tocavam canções antigas como Mardy Bum, Old Yellow Bricks e minha xodó A Certain Romance, que eles costumavam finalizar os shows lá no comecinho… e vieram notícias de um novo álbum. BOOM! Veio o álbum A.M. e o show em Glastonbury 2013. (esse festival é a casa deles e do Coldplay, só pode.) Esse show foi ainda mais mito que 2007 e a primeira faixa foi uma tal de… Do I Wanna Know, vocês conhecem? (hehe). Era a primeira execução dela ao vivo e eu en-doi-dei, se eu fosse mulher minha calcinha tava no chão, mesmo vendo via Youtube. (desculpem, garotas, foi só pra não perder a piada.) Os caras agora tem esse 5º CD e uma penca de antigas músicas boas e amadas pelo público, e precisarão se desdobrar e encaixar um bom setlist, variado e bonito (como se eles não soubessem fazer um bom setlist). Mas daí se vê como o Humbug foi importante pra banda e pros verdadeiros fãs! Uma mudança de paradigma às vezes cai bem, hein!

Se por acaso você é daqueles que ouviu a banda no começo e depois desistiu de ouvi-los, ou se você é daqueles que conhece Arctic Monkeys agora nos últimos tempos por causa de R U Mine, Arabella, Do I Wanna Know? ou No. 1 Party Anthem… que tal tentar o Arctic Monkeys do meio? Deem uma chance pro Humbug!

Sim, isso é um grito de um audiófilo que prefere conhecer bandas por toda a sua discografia, e não apenas pelas “melhores” músicas e mais famosas, mas mais que isso, é um grito de alguém que ama e conhece uma banda desde o começo e, apesar dos reveses, continua sendo fã deles depois de tanto tempo — no caso, 10 anos!

Vou dar uma ajudinha a vocês: Dance Little Liar (a exata versão que eu vi há anos atrás na MTV), Dangerous Animals e Pretty Visitors.

Dance Little Liar & Brianstorm

Dangerous Animals

Pretty Visitors

Até a próxima, galera.
Abraço forte, vlw, flw.

PS: o CD demo citado era o Beneath The Boardwalk (só descobri depois, meu amigo que vivia no UK trouxe apenas um CD qualquer gravado sem nome, só o nome da banda), fiz uma cópia pra mim no bom e velho (e lento) Nero e ouvia um bocado. Daí eu perdi esse disquinho numa mudança. 😦

Massss… 1 mês de muita amargura depois, descobri que uma banda de Sheffield tinha estreado um clipe na MTV… e aí a história toda (re)começou.

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