Aleatoriedade #2: Meritocracia, Mercedes, mercado, música ruim e minha opinião de bosta

Alô!
Textão à vista!

Outro dia eu vi um post no grupo do Facebook chamado “F1 – Fórmula 1 Brasil“, cujo nome explica sobre o que é o grupo, e o post falava sobre meritocracia. Lá, o autor do post dizia:

“Segundo a logica da meritocracia, o Stevens tem as mesmas chances de ser campeão que o Hamilton BASTA ELE SE ESFORÇAR!”

hamilton-stevens

Depois ele editou e acrescentou o seguinte: “Exclarecimento: o sentido em que dei (quis dar) a postagem foi que NA TESE se a manor se esforçar teria os mesmos resultados da mercedes e foi NESTE SENTIDO que eu mencionei a meritocracia. E nao eu nao estou criticando a ideologia de vida de ninguem voces e que nao tinham entendido antes”

Ê diacho… lá vem confusão.

Pra quem não entendeu: o carro da esquerda é do Lewis Hamilton, piloto inglês que atualmente é tricampeão da Fórmula 1 (sim, estou me adiantando, pois ele será campeão de 2015 sem sombra de dúvida 😀 ). Ele é piloto da equipe alemã Mercedes, que não só é a atual líder do campeonato (dominante desde o ano passado inclusive), mas também é a equipe da marca Mercedes (dãã), que produz e vende motores para outras equipes do grid, e seus motores são os mais potentes e resistentes. Em 2015 a Mercedes, Williams, Force India e Lotus são “powered by Mercedes”. E o piloto da direita é Will Stevens, piloto da Manor (leia-se “mênor”), time do fim do grid, corre com motor Ferrari modelo 2014 (!). Então perceba a discrepância imensa entre os carros.

O fato é que eu me coço e me ajeito na cadeira toda vez que falam de meritocracia. O meu filtro mental de bosta sempre ouve essa palavra e me deixa incomodado. É tipo você, amigo cristão que é coerente e bíblico, e ouve falar de dízimo e oferta sem lembrar das igrejas neo-pentecostais e das propagandas, campanhas e programas de igreja na TV e bate aquela chateação: “putz, de novo esse assunto… que saco!”. Até quem não é cristão se estressa com isso! Daí ~voltando ao post~ rolou um bafafá nos comentários e eu Nemly e Nemlerey, até porque ia começar a aula na faculdade. No mais, xinguei no twitter.

Então lhes deixo minha opinião de bosta: por que diabos as pessoas teimam em pensar que meritocracia é relacionada com esforço? Não! Não mesmo! É apenas uma questão de mercado: atender uma demanda. Simples. Dããã. No caso da F1, qual a demanda? Chegar na frente. Vencer. A Mercedes tem o mérito de ser a atual líder do campeonato com folga porque atende ~com folga~ à demanda de andar e chegar na frente (generalizando, claro; eles não venceram absolutamente tudo, mas tipo, são arrasadores). Independente de terem feito muito esforço ou pouco esforço para isso! E lógico, dentro das regras, caso contrário não seria mérito, e sim roubo 😉

(Claro que eu acho que os engenheiros alemães trabalharam pra cacilda pra conseguir fazer esse motorzão e esse carrão, mas espero que tenham entendido o ponto. Aliás, a McLaren, equipe tradicionalíssima na F1, está sofrendo horrores em 2015, porque a Honda entregou um motor pífio, e não duvido que os japas trabalharam o dobro dos alemães, porém obtiveram pouco sucesso em atender à demanda. Esforço =/= mérito!)

Talvez por isso tem tanta música bosta rodando por aí. Não quero entrar na discussão disso até porque meu amigo Estêvão Rockefeller já conversou sobre isso no Dialetos & Coisas Boas, onde eu também colaboro. Mas o fato é que tem algumas músicas que grandes grupos de pessoas costumam torcer o nariz. Sabe o que acontece? Há muita gente que não torce o nariz! Essa gente quer ouvir o que você e eu chamamos de bosta, criando uma demanda de mercado, e tem muita gente ~esperta~ que cria bosta auditiva. Pronto, casou. Tiveram o mérito de suprir uma demanda. $$$$!

Enquanto isso, músicos talentosos, artistas criativos, gênios esforçados, se lascam. Por quê? Falta de esforço? Não! Meritocracia! Ah, talvez agora ocorra outro problema: a monetização da vida. Sabe, não quero filosofar sobre con$umi$mo, ganância e compul$ividade, mas a gente vive num mundo capitalista e portanto precisamos de grana. Pra ter grana, precisamos vender nosso peixe. Pra vender o peixe, precisamos achar quem compre. Ora, ache(m) um nicho de mercado pra você(s)! Arranje(m) um jeito de vender seu peixe pra pessoas que querem peixe, e não no meio de gente que quer frango.

E mais: de um jeito que seja po$$ível comprar. Eu sempre morei em subúrbio, e os preços dos produtos naturalmente são mais baratos, mesmo que nem sempre os produtos tenham lááá uma super qualidade, mas na real, o povão pouco se importa. Mas tem certas coisas que são caras mesmo! Entenda: não é que seja cara de forma absoluta, mas relativamente, isto é, aquilo é caro se você considerar a realidade local, a situação financeira atual. É o caso da crise nesse Brasil de 2015, onde tudo parece caro: o preço ~dados a carga tributária, transporte, armazenamento, etc~ é justo, mas com a inflação e poder de compra reduzido, não dá pra manter um estilo de vida ~padrão FIFA~ por muito tempo.

Poucos no mundo chegaram a um nível de mérito onde “inverteram” a relação em que o mercado “atribui” um preço para as coisas através da clássica Lei da Oferta e Procura. A líder Apple, por exemplo, depois de passar tanto perrengue na vida, chegou ao patamar de poder colocar “o preço que quiser” no iPhone que vai ter gente dormindo 3 dias na fila da sede da empresa pra ser o primeiro a comprar, mesmo que parcele em 60 vezes. O Nirvana lá em 1990 lançou o mito Nevermind, disco pesado, sujo, mal-tocado, polêmico, drogado. O MUNDO AMOU AQUILO. Kurt Cobain entrava nos shows com roupa de hospício (que parece camisola de vó) e de cadeira de rodas e cabelo desarrumado. Desafinava e errava solos de propósito. “Engolia” o microfone. O MUNDO LOUVOU AQUILO. Então o Nirvana fez um álbum ainda mais pesado, sujo, estúpido, anti-rádio, politicamente incorreto, se arrumou todo, tocou redondinho. Tudo pra fugir do mainstream. O MAINSTREAM SE VOLTOU AO NIRVANA. Foi demais pro jovem Kurt e o fim da história vocês sabem. Moral da história: Nirvana e Apple chegaram a um patamar onde eles é que ditam o mercado. E isso é absurdamente raro e poderoso.

Pra concluir: é claro que eu gostaria que o mundo fosse legal com quem é esforçado, mas a vida não é assim. Então, vamos entender o que as pessoas gostam/precisam, ou ao menos fazer um bom marketing (a propaganda é a alma do negócio! A gente não faz ideia de como ela é poderosa) pra dizer às pessoas o que elas precisam e dizer que nós temos exatamente aquilo que elas precisam. E pra eu não ficar com fama de capitalista selvagem individualista fascista burguês neoliberal branco (?) de direita: seja próximo de pessoas. Responda comentários e dê uns likes. Use memes se possível. Faça caridade e faça marketing em cima da caridade. E use um pouquinho de fofuras e de humor auto-depreciativo às vezes. As pessoas gostam dessas coisas.

Até a próxima.
Abraço forte, flw.

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