#FlashbackFriday #4: O primeiro rock a gente não esquece!

Depois de duas semanas de muita nostalgia no blog Dialetos & Coisas Boas e preparando um post pro portal O Propagador, relembrando os 10+ que saíram há 10 anos atrás (e ainda esquecemos muita coisa boa 😦 ), escrevendo fofurice, algo que eu raramente faço, e ~principalmente~ relembrando o primeiro momento marcante com alguma arte, acabei tendo a ideia pra esse #FF.

It’s flashback time, baby!
Vamo nessa.

#FlashbackFriday #4: O primeiro rock a gente não esquece!

John says to live above hell…

2000.
O novo milênio.
O bug do milênio.
E o Phil com 6 anos, tão inocente quanto John Mayer em “83”. Ouvidos ainda noobs, mas que dariam um passo (ou uma ouvida) importante.
Ah meus amigos, a primeira vez a gente nunca esquece!

Minha irmã tinha lá seus 19, 20 anos. Ela era fã de Malhação. Havia um tema, uma canção que tocavam em Malhação que ela gostava bastante, e por conta dessa canção resolveu comprar o CD da banda que a tocava. Apenas por essa canção. Mas ela não sabia da joia que tinha nas mãos, ou talvez ela sabia, mas eu certamente não fazia ideia.

Daí um dia resolveu tocar o tal CD lá em casa, inteiro. Eu tava de boas vendo Dragon Ball Z na Band, o desenho tinha acabado de terminar e eu não tinha muito o que fazer (férias), daí ela põe o CD e eu peguei o encarte. A capa era esquisita… era uma piscina com lava, ou com fogo, ou mesmo nuvens vermelhas, e um mar ao fundo. Eu não entendia nenhuma desgracência (?) de inglês, então não entendi bulhufas do que eu lia, mas certamente entendi quando o baixista deu um slap monstro, embora eu também não soubesse o que era um. (É uma técnica de baixo onde se bate o polegar na corda, dá um som bem forte).

Arregalei os olhos. Daí o guitarrista entrou junto com o batera fazendo uma doideira lá e eu, sozinho na sala, comecei a pular. Daí a música ficou funkeada (e só hoje sei o que isso significa) e eu achei legal pacas. Fui ler a letra de novo no encarte. Quem disse que eu entendi? Nem assim, haha. Mas achei bem loco.

Poizé senhoras e senhores. Aquela primeira faixa do CD se chama Around The World.
A canção que minha irmã curtia tanto era This Velvet Glove.
A banda é Red Hot Chili Peppers.
E o álbum é o santo graal da banda (dizem), o Californication.

Esse dia tá gravado no meu coração. Só não sei a data. Mas foi uma sensação indescritível ouvir aquele álbum inteiro sendo eu tão novo. Lembro como flashes na mente de algumas das canções, mas sei que nenhuma foi pulada.

TEXTÃO ALERT, se quiser pule esses dois parágrafos, é só história.

Muitos anos mais tarde, com a internet, e depois de me tornar guitarrista e fã da banda, fui atrás de ver a história deles, e principalmente de John Frusciante, guitarrista até 2007. Eu poderia escrever sobre isso, mas prefiro indicar o link do Universo Frusciante que tem a biografia completa dele. Enfim, pra resumir: ele era super fã de Hendrix, curtia muito um tal de Hilel Slovak, esse Hilel morreu e um cara da banda dele chamou John pra uma jam com a banda, uma diversão, e os caras curtiram o garoto de 17 anos. O garoto entrou pra banda logo após, banda chamada Red Hot Chili Peppers. Gravou um álbum (Mother’s Milk) que seria o primeiro disco de ouro, depois gravou o lendário Blood Sugar Sex Magik (abençoado por Rick Rubin 😀 ), mas aí não soube lidar com o mix fama + arte, saiu da banda no meio de uma turnê lotada de shows (e de grana e de garotas), caiu nas drogas (e pioraria muito com o tempo, entrando em heroína e crack), chegando a quase morrer de overdose, de dívidas com traficantes e de um incêndio na própria casa, gravou álbuns bem introspectivos e vídeos (alguns estão no youtube) que mostram sua condição triste e deplorável, perdeu os dentes tendo que implantar todos eles, teve abcessos nos braços que hoje deixam marcas deformando suas tatuagens (só não se sabe se foi do incêndio, das cinzas de cigarros ou de tanto injetar drogas). Ah, e deu umas entrevistas onde reviravam o monte de bosta que ele vivia, e todo mundo fez o que sempre fazia: ficava com pena mas nada fazia pra ajudar. Ufa. Isso tudo num espaço de quase 10 anos, sendo que ele saiu da banda em 92.

Daí em 98 ele muda do vinho pra água, sem a ajuda de ninguém, por assim dizer. Vai pra uma clínica de rehab e em 3 meses tá limpo, parou de vez com as drogas, fez um monte de cirurgia pra reconstruir o rosto, e Anthony (vocal) soube disso por Flea (baixista). Então foi lá visitar o antigo amigo para fazê-lo ser amigo de novo, e o leva pra comprar uma guitarra, já que John vendeu tudo pra gastar com droga. E compraram uma Fender Strato ’62, que é uma marca dele na banda até hoje. Daí se juntaram para tocar um pouco, se divertir — John não tocava com frequência haviam 6 anos — e reaprender a serem uma banda. Assim, o RHCP renasceu. E desse reaprendizado, saiu um filho amado, um belo álbum: Californication. As experiências de John, a amizade, a loucura do funk-rock, o amor pela Califórnia, ah, tem Califórnia escorrendo pelos falantes do caixa de som toda vez que ouço o álbum. Lendário álbum, todo mundo lembrou finalmente o que era aquela banda.

FIM DO TEXTÃO, voltamos à programação normal.

Depois de crescer, amadurecer e entender o significado desse álbum pra banda, pros fãs e pra todos os que já o curtiram alguma vez na vida, ele ficou ainda mais gravado no meu coração. De verdade. Fez parte de meu crescimento como criança naquele dia, fez parte de meu amadurecimento como adolescente anos mais tarde, faz parte de meus conceitos de sonoridade e amizade hoje. É muito importante pra mim.

Vou deixar aqui pra vocês a canção que a Globo escolheu sem saber (eu acho) o peso que tinha pra banda. A canção que minha irmã curtiu tanto que a fez comprar o álbum todo. A canção que faz os fãs mais próximos se arrepiarem. A canção que me faz, toda vez que a ouço, ter esperança de ver John de volta à banda, mas que me lembra que um dia RHCP, não só John, estava saudável, e que eles estiveram juntinhos, amigos, unidos, ligados.

This Velvet Glove.

Bônus: no vídeo abaixo, tá vendo aquele carinha ali no violão? É um tal de Josh Klinghoffer. Amigo da banda há muito tempo. E hoje, o atual guitarrista. É até místico pra mim ver que a canção que faz todo mundo se arrepiar e enxergar a unidade do Red Hot Chili Peppers teve uma versão ao vivo com o atual guitarboy antes de ser quem é hoje, como se fosse introduzido por John: “galera, olhem bem esse garoto… ele vai ser meu sucessor!”.

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